segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Pensamento/Lema da semana #367


"(...) cada um faz a diferença,
mesmo quando não imagina que está a fazê-la."

Marisa Moura

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Lagom, o Segredo Sueco para Viver Bem - o livro

Comprei o livro Lagom - O Segredo Sueco para Viver Bem de Lola A. Åkerström no fim das férias de Verão. A verdade é que tenho um fascínio pelo estilo de vida nórdico (não desfazendo no nosso, que também tem muita coisa boa). Já me tinha apaixonado pelo hygge dinamarquês e adoptado algumas ideias no meu dia-a-dia. Estava igualmente ansiosa por conhecer o lagom. Queria mais inspiração, porque estes livros trazem sempre ideias interessantes... e eu não resisto a testá-las (pelo menos algumas).

Mas antes de mais, importa esclarecer o que é isto do lagom. Trata-se de um estilo de vida adoptado pelos suecos que significa nem de mais, nem de menos, mas na medida certa. Uma forma de viver considerada "ideal" para cada um (e que por isso varia, consoante a pessoa). Em que se busca o equilíbrio. Em que se recebe e se contribui em partes iguais. Por exemplo ao nível do emprego, não devemos trabalhar de menos, nem de mais, mas sim na medida certa. Enquanto estamos no emprego, devemos ser o mais competentes possíveis. Mas também temos direito à nossa vida pessoal. Deve de haver equilíbrio! Assim, é benéfico fazer pausas ao longo do dia de trabalho e sair sempre a horas.

Devo dizer que este livro me lembra imenso a versão inglesa do Livro do Hygge. Capa dura, imagens lindíssimas e um texto inspirador. Contudo, não gostei do facto de não trazer índice. Para mim, que gosto de organização, isso é fundamental. Mas pronto... nada a fazer...

Uma das imagens lindíssimas deste livro.

Mas vamos ao conteúdo.

Numa primeira parte a autora esclarece o significado da palavra lagom e como ela é usada na linguagem do dia-a-dia. Depois disto, explica como o lagom inspira os vários domínios de vida dos suecos, o que é detalhado em cada capítulo do livro. 

É neste ponto que este conceito começa a fazer sentido. Começamos a perceber o porquê de certas atitudes suecas (a sua aparente frieza por ex.). Apercebemo-nos também como ao pôr este conceito em prática, podemos melhorar vários domínios da nossa vida. Por exemplo ao nível da decoração, o objectivo é criar harmonia em casa. Eliminar o stress que nos rodeia, criando um ambiente de calma e paz. Tem muito a ver com minimalismo, em que optamos por evitar a tralha, para dar destaque àquilo que nos traz alegria ou que nos é útil. A autora vai então explicando como é que os suecos costumam aplicar isto na prática, dando-nos assim uma série de sugestões. Vou citar só um excerto sobre o objectivo do lagom ao nível da decoração: "O derradeiro objectivo é criar um lugar acolhedor que nos faça felizes e nos acalme instantaneamente assim que pomos o pé na porta (...)." Isto faz tanto sentido!...

Um dos capítulos, que aborda a sustentabilidade em casa e o minimalismo.

Mas este é só um exemplo. Os temas abordados no livro são os seguintes:
- A cultura [sueca] e as emoções;
- A comida e os dias de festa;
- A saúde e o bem estar;
- A beleza e a moda;
- A decoração e o design;
- A vida social e a diversão;
- O mundo do trabalho e dos negócios;
- O dinheiro e as finanças;
- A Natureza e a sustentabilidade.

Cada um destes temas está dividido em sub-temas, também eles interessantes. Vou dar o exemplo no capítulo da "comida e dias de festas". Os sub-temas abordados, são os seguintes:
- Um começo não agitado do dia; 
- O ritual diário da fika (as tais pausas ao longo do dia de trabalho);
- Coma o que quiser... dentro do razoável;
- O regresso à simplicidade;
- O Manifesto da Cozinha Nórdica; 
- Qualidade acessível a todos;
- Banquetes e a arte da reutilização.

No fim de cada capítulo, há sempre um quadro resumo com as ideias que podemos implementar na prática.

Um dos quadros resumo que surge no fim de cada capítulo.

Devo dizer que depois desta leitura, fiquei motivada para muita coisa. Para descomplicar as refeições; para não me desfazer somente da tralha, mas  tentar reutilizar, dando um outro uso aos objectos; para fazer uma gestão financeira mais eficaz; para implementar várias dicas para uma vida mais ecológica, etc., etc. Ideias e motivação não me faltam...

A última parte do livro fala da aplicação do lagom nos dias de hoje. Dos seus aspectos mais, ou menos, positivos. Da sua relação com a felicidade.

Após ler este livro, concluo o seguinte:
bom seria aproveitar aquilo que já temos de bom
e deixarmo-nos inspirar pelo melhor do estilo de vida sueca.
Lagom pode ser um bom caminho a seguir.

Imagem lindíssima a evocar a Suécia e o estilo de vida dos seus habitantes,
nomeadamente o amor e respeito pela Natureza.

Fotos: Mafalda S.
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terça-feira, 10 de outubro de 2017

As minhas dificuldades no mundo da alimentação saudável

Este ano prometi a mim mesma, que pelo menos uma vez por semana, iria fazer uma refeição baseada em livros de receitas saudáveis. Na realidade superei este número e tenho testado imensas receitas.

Há dias estava a fazer a ementa da semana e pesquisei num dos meus livros. Achei algo muito interessante. Mas entretanto olhei para a lista de ingredientes... 27 ao todo!!! Perguntei a mim mesma: será que isto é viável no dia-a-dia? Será que não deveria simplificar?

A verdade é que, na minha caminhada pelo mundo das refeições saudáveis, nem tudo são rosas. E... prefiro falar nisso! Só dessa forma poderei definir o que fazer daqui por diante.

Deste modo, vou falar-te das dificuldades que tenho sentido e das possíveis soluções:

1) Há receitas com uma quantidade enorme de ingredientes e com muitas técnicas para executar, até chegar ao resultado final.
SOLUÇÃO: Simplificar! Optar por receitas mais simples (que felizmente, também existem), ou, quanto muito, confeccionar as mais complexas só ao fim-de-semana.

2) Quando assisto a programas de TV, ou leio sobre o tipo de alimentação dos lugares onde as pessoas vivem mais anos, e de forma saudável, tenho a sensação de que complicamos... Eles simplesmente tiram as frutas da árvore e comem, ou confeccionam produtos locais de forma aparentemente simples. Nós optamos com alguma frequência por pratos mais elaborados. A fruta é transformada em smoothies ou sumos apelativos, mas que dão mais trabalho a fazer.
SOLUÇÃO: Simplificar!... novamente. Há dias em que me apetece de um pequeno-almoço como o da imagem acima (taça de açaí, a propósito), pois os olhos também comem. Mas se optar por beber leite com torradas (ao menos, barro com becel) ou fruta fresca, não há mal nenhum nisso (a fruta fresca até é mais saudável, do que por exemplo num sumo). Quero começar o dia com boas energias, e se tiver menos trabalho, tanto melhor.

3) Nem sempre é fácil encontrar alguns ingredientes mais "estranhos" das receitas. Principalmente para mim, que vivo longe de lojas de produtos bio (ok, alguns nem nas lojas bio encontro). 
SOLUÇÃO: Optar por receitas que privilegiem os ingredientes locais e consumir fruta e legumes da época.

4) Algumas receitas são deliciosas, outras... ou eu não estou habituada, ou não são nada de especial. (No meu Instagram poderia publicar mais fotos de refeições. Mas não o faço, porque só coloco fotos de refeições que realmente gostei... ou seja, mais vale menos publicações, mas que sejam sinceras).
SOLUÇÃO: Continuar a experimentar novas receitas. Mesmo que não aprecie tudo, vou aumentando o meu leque de opções. Vou igualmente «educando» o meu paladar (o que é mediano para mim, pode ser delicioso para quem está mais habituado).

5) Sinto que há muitas receitas de snacks, pequenos-almoços, lanches, bebidas... Refeições principais? Poderiam haver bem mais!
SOLUÇÃO: Continuar a pesquisar: em revistas, livros, blogs ou outros sites da Internet, canais de youtube, programas de TV, etc.

6) Não é fácil convencer as crianças a experimentarem coisas novas.
SOLUÇÃO: Pensando bem, os meus filhos hoje não são fãs de comida asiática? Talvez por terem sido habituados desde sempre. Com a comida saudável, talvez o segredo seja apresentar-lhes os pratos uma e outra vez. Hão-de experimentar, nem que seja por curiosidade. Outra opção, já que gostam de comida asiática, é experimentar receitas desta cozinha em casa. Ah! Uma terceira solução passa por convidá-los para cozinharem connosco (a minha filha adora!). Duvido que aí não experimentem...

7) Sinto que as receitas disponíveis para as crianças, são pouco variadas. Normalmente incluem douradinhos, hambúrgueres, nuggets, pizza. Socorro! Tirando a pizza, os meus filhos não gostam de nada disto!
SOLUÇÃO: Pesquisar pratos que tanto servem para adultos, como para crianças. Só com os de criança, não me safo. Os meus filhos são um pouco esquisitos.

8) Saber efectivamente o que é saudável. Porque um ingrediente que numa altura é quase milagroso, daí a uns anos já pode fazer mal a muita coisa.
SOLUÇÃO: Variar a alimentação. Provar um pouco de tudo, de acordo com a velhinha roda dos alimentos. A ideia é obter um leque variado de nutrientes. Mas claro, evitar as opções que são realmente pouco saudáveis: fritos, aperitivos salgados, enchidos, etc.

E é isto. São estas as minhas dificuldades no mundo da alimentação saudável (apesar de ter a certeza de que este é o caminho a seguir!).

E tu, também sentes dificuldades ou nem por isso? Se sim, quais as tuas soluções? Já agora, alguma sugestão de restaurante de alimentação saudável e simultaneamente deliciosa? Sou toda ouvidos...

Foto: Mafalda S.
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segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Pensamento/Lema da semana #366


"(...) praticar a bondade
é tão benéfico para quem dá como para quem recebe."
Sonja Lyubomirsky

Foto: skeeze, via Visual Hunt
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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Como manter a casa limpa e arrumada diariamente #8 - Prevenção da sujidade


Nesta série de posts tenho falado recorrentemente da importância de termos uma casa limpa e arrumada. Um lugar agradável para vivermos. Mas isto, sem nos tornamos escravos da casa! Se estivermos sempre a limpar e a arrumar, que tempo sobrará para outras actividades?

Duas formas de evitar tarefas extra é simplesmente prevenir a sujidade ou evitar que esta se agrave. Pode parecer insignificante, mas a verdade é que estas medidas, podem poupar-nos muito tempo no dia-a-dia.

Hoje darei sugestões, justamente nesse sentido. Formas de prevenir, para não termos trabalho extra.

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67 - Tira os sapatos assim que entras em casa - Mesmo quando os sapatos parecem limpos, acabam por trazer pó e outras impurezas da rua (em dias de chuva, podem também trazer lama). Por isso retira-os e calça uns chinelos/sapatos só de casa, ou se preferires anda descalço/a. Para facilitar esta tarefa, é conveniente teres um lugar definido para os guardares junto da entrada.


68 - Evita que fique tralha espalhada pela casa - Podemos nem nos aperceber, mas deixar um livro aqui, um brinquedo acolá, peças de roupa em cima dos móveis... irá fazer com que se acumule pó extra nestes locais. Em casos extremos, é um atractivo para uma série de bichinhos. Por isso, o ideal é guardares quando acabares de usar e definir um momento do dia, para apanhares toda a tralha espalhada em casa.

69 - Cria o hábito de só fazerem refeições na cozinha ou na sala de jantar - Por mais que tenhamos cuidados, podemos deixar cair bocadinhos de comida, migalhas e entornar bebidas. O ideal é comermos nos lugares designados para o efeito. Ainda assim, por vezes queremos mesmo fazê-lo noutro local, como por exemplo quando planeamos uma sessão de cinema com pipocas, na sala. Há  assim que prevenir! Neste caso, cada um poderia ter a sua própria tigela de pipocas e colocá-la em cima de um tabuleiro ou de um pano.

70 - Tem especial cuidado na hora de cozinhar - Cá em casa coloco uma toalha em cima da mesa, que uso só para cozinhar. Assim evito pôr nódoas nas toalhas das refeições, bem como sujar o local onde preparo os ingredientes. Outros cuidados são coisas simples como: não mexer os alimentos na panela bruscamente, para não sujar o fogão; não colocar o fogo demasiado alto para não arrufar; quando transfiro a comida de um recipiente para outro, faço-o num lugar protegido (lava-loiças, ou na mesa protegida por uma toalha ou pano), uso um tapete junto da bancada de cozinha, para evitar sujar o chão, etc. Se mesmo assim sujar (acidentes acontecem...), limpo de imediato, para que a sujidade não endureça e a limpeza fique mais difícil.


71 - Garante que a sanita fica sempre limpa após uso - A ideia é que após cada uso seja feita a descarga e limpa com o piaçaba em caso de necessidade. É importante começar a educar as crianças neste sentido, logo que usem a sanita. 



72 - Previne a humidade - É uma chatice quando as paredes começam a ficar negras, devido à humidade. Dá uma trabalheira a limpar e não é nada saudável, por isso: 
a) assim que terminares o banho abre a janela (se a tiveres) e a porta da casa-de-banho para o vapor sair;
b) areja a tua casa, abrindo portas e janelas sempre que possível;
c) coloca um exaustor na cozinha;
d) usa um desumidificador;
e) estende a roupa, sempre que possível fora de casa, ao ar livre;
f) não exageres no número de plantas que tens dentro de casa;
g) nos lugares onde é produzida uma grande quantidade de vapor, podes instalar um extractor;
h) em último caso, se nada resultar, podes contactar um profissional. As casas mais recentes, já são construídas de forma a prevenir o excesso de humidade interior. Mas mesmo numa casa antiga, podem-se fazer alterações para minorar o problema.

73 - Se tiveres animais com pêlos, escova-os frequentemente - Isto evita que o pêlo se espalhe por toda a casa.


74 - Previne a sujidade em geral - É uma questão de pensares nas consequências antes de agires, de ficares atento/a aos pequenos acidentes. Toma cuidado por exemplo ao regar as plantas ou ao lavares as mãos para que não pingares o chão, ao abrires pacotes de farinha, açúcar, etc. Educa os teus filhos também neste sentido. Diz-lhes que quanto menos sujarem, menos tempo se perderá a limpar e mais tempo terão para estarem juntos. Eles devem por exemplo afiar os lápis no sítio certo, proteger o local e as roupas quando fazem trabalhos manuais, arrumar os brinquedos depois de os usarem, etc.

75 - Não deixes agravar a sujidade - Quando sujares limpa de imediato, para que a sujidade não seque e custe mais a limpar. Lava por exemplo a banheira após o banho, o lavatório após lavares os dentes, algo que entornaste, etc.

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Hoje foram dados mais uns passos para manteres a casa limpa e arrumada, sem que te tornes um/a escravo/a da casa. O teu espaço certamente se está a transformar num lugar mais agradável e acolhedor.

O próximo passo desta jornada é a «faxina/limpeza da casa. Ficará para um próximo post.

Até lá... sê feliz!


Fotos: 1.ª e 3.ª svenskfast; 2.ª  alvhem; 4.ª homdecoor 5.ª rudinei; 6.ª Ikea.
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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Pensamento/Lema da semana #365


"O que fazes Hoje,
pode mudar todos os AMANHÃS da tua vida."
Zig Ziglar

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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Vidas inspiradoras. Rainha D.ª Amélia: seguir em frente, apesar das tragédias

Nos últimos tempos tenho lido biografias de personalidades históricas. A verdade é que nos podem servir de inspiração. Podemos aprender com os seus exemplos de persistência e retirar lições da forma como lidaram com as adversidades.

Há dias terminei a leitura de "Rainha D.ª Amélia - Uma Biografia" de José Alberto Ribeiro, e fiquei surpreendida com o exemplo de vida daquela que foi a última rainha de Portugal.

D.ª Amélia, filha do pretendente ao trono francês, nasceu a 28 de Setembro de 1865, quando os pais estavam exilados na Inglaterra. Ainda assim, pouco depois, com a queda de Napoleão III, puderam regressar a França. A infância apesar de tudo parece ter sido feliz. A rainha guardava boas recordações desse tempo, da relação com os irmãos, dos momentos passados em casa dos avós... Teve uma educação primorosa e viajou bastante pela França. Conheceu as belezas do seu país e apaixonou-se pela arte e cultura.

Mas com a vinda para Portugal, parece que tudo começou a correr mal. Um sobrinho escritor, chegou a apelidá-la de «tragédia ambulante»!

Quando estava para casar, o povo francês ficou entusiasmadíssimo. Colaborou inclusive nos presentes para a noiva real. O que é certo, é que nessa altura a popularidade da família real cresceu tanto, que os republicanos começaram a ficar preocupados. Então lembraram-se de publicar uma lei, para que nenhum pretendente ao trono pudesse permanecer em território francês. Os pais de D.ª Amélia, tiveram de sair do país, novamente exilados em Inglaterra. Imagina como D.ª Amélia se deve ter sentido...

No casamento, de início tudo corria bem. D. Carlos e D.ª Amélia demonstravam cumplicidade e aparentavam ser felizes, até porque partilhavam muitas paixões: os cavalos, o desenho e pintura, os passeios, os livros... Mas foi sol de pouca dura. D. Carlos, logo se começou a encantar com outras mulheres, deixando a rainha frequentemente só. Acabou profundamente desgostosa com o casamento.

D.ª Amélia teve três filhos, dois rapazes e uma menina. Mas a pequenina, que nascera prematura, sobreviveu apenas umas horas.

No próprio dia em que o marido foi aclamado rei, parecia antever-se a desgraça futura. Acabados de regressar das cerimónias de aclamação, souberam da morte súbita da sua familiar, a imperatriz do Brasil que se encontrava no Porto. O filho mais velho tinha estado todo o dia de cama, com febre. No dia seguinte, o rei era muito aplaudido e a rainha acabou cheia de dores, porque torceu um pé. Uns dias depois o governo Inglês fez um ultimatum a Portugal para que desocupassem os territórios entre Angola e Moçambique em 24 horas.  A partir daqui o rei começou a ser muito criticado, o que aconteceu ao longo de todo o seu reinado. Enfim, um princípio de reinado bem azarado...

A rainha recebia com frequência cartas anónimas insultando-a, enquanto crescia a contestação à monarquia. Os próprios monárquicos não se entendiam, vivendo-se um clima de intrigas no seio político. Entretanto a 1 de Fevereiro de 1908 assassinaram o seu marido e o filho mais velho. Neste episódio, a rainha manteve-se de pé, a tentar proteger o filho mais novo, enquanto batia com um ramo de flores no assassino. Dois anos depois, a monarquia caiu, e ela juntamente com o filho foram exilados para Inglaterra.

Apesar de D.ª Amélia ter muitos amigos, tinha bastante cumplicidade com dois deles: Mouzinho de Albuquerque e "Pepita". Mouzinho foi um herói nas suas campanhas pelo continente africano. Mais tarde tornou-se professor do seu filho mais velho. Mas o esquecimento e até críticas aos seus feitos em África, acabaram por levá-lo ao suicídio. A condessa de Figueiró, carinhosamente chamada de Pepita, era a sua melhor amiga, sempre presente nos bons e maus momentos. Mas infelizmente, também morreu cedo demais.

Entretanto, o único filho sobrevivente, D. Manuel II, havia casado. Mas a noiva ainda na lua de mel, adoeceu quase de imediato. Ficou internada durante algumas semanas e, apesar de ter recuperado, provavelmente ficou estéril. Ela e o marido, nunca conseguiram dar netos a D.ª Amélia.

Alguns anos depois, o filho Manuel morreu inesperadamente. Devido a uma reacção alérgica exacerbada, acabou por falecer com um edema da glote. Tinha 42 anos.

A rainha passou também pelas difíceis épocas das guerras mundiais. Pelo menos no último dos conflitos, apesar de ter dinheiro no banco, estava impedida de o utilizar. Vivia praticamente no escritório da casa (que também servia de quarto), com racionamento de alimentos e pouca lenha - apesar dos Invernos rigorosos, com temperaturas negativas.

Só perto do fim da vida regressou numa visita a Portugal. Passou pelos lugares que mais a marcaram. Sentia-se comovida, pelo afecto e entusiasmo demonstrado pelos portugueses. Pouco depois faleceu e, conforme seu desejo, foi sepultada em Portugal, junto do marido e dos filhos.

Quando faço estas leituras acerca de personagens históricas, devo dizer que não tenho qualquer fascínio pelo facto de ser da monarquia ou da república, pobre ou rica. O que mais admiro é a força quase sobre-humana demonstrada por algumas pessoas. 

D.ª Amélia tinha tudo para ser uma pessoa tremendamente infeliz e amargurada. Claro que sofria, mas a maneira como encarava a vida é para mim uma lição de resiliência. Vejamos como enfrentava as dificuldades:

- Mesmo que a sua vida de casada fosse um desastre, concentrou-se na educação dos filhos. Era uma mãe realmente exemplar e muito, muito carinhosa na forma como falava com os filhos (coisa que não imaginava para aquela época);
- Rodeava-se de amigos, que certamente lhe dariam alegria e também apoio nos maus momentos. Estava com eles frequentemente. Desde que saiu de Portugal, passava parte do ano a viajar, visitando os seus muitos familiares e amigos;
- Exercitava-se bastante. As caminhadas pela Natureza e por Lisboa eram constantes. E eram caminhadas longas, nada de ir lá fora uns 10 minutos. Também adorava andar a cavalo;
- Mantinha-se sempre muito ocupada: em viagens, a ler, a pintar, em eventos culturais e, sobretudo, cumprindo o seu dever de rainha... tarefa que levava muito a sério, mesmo depois de exilada;
- Era uma pessoa muito espiritual, com uma fé inabalável que lhe permitia seguir em frente. Usava muitas vezes a expressão latina fiat, que significa «faça-se» (de acordo com a Sua vontade);
- Apesar de se sentir muito triste em algumas ocasiões, não se concentrava em queixumes (mesmo nos piores momentos). Optava por se concentrar em agir e seguir em frente;
- Desenvolveu imensas actividades solidárias, creio que era uma das suas principais paixões. Visitava doentes em hospitais, visitava Instituições modelo buscando inspiração nas boas práticas, criou instituições, foi enfermeira voluntária durante a 1.ª Guerra Mundial, deu catequese, fez diversas doações. Fiquei admirada porque foi ela quem ofereceu uma bolsa de estudo a Domitília Carvalho, a primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra;
- Em diversas situações, em que provavelmente a maioria das pessoas ficaria irritada, ela saía-se com uma piada (ou seja, ainda conseguia ter bom humor);
- O seu lema de vida, apesar de tudo o que passou, era «a esperança».

O autor da sua biografia refere que na última entrevista que deu, o jornalista se mostrou admirado pela ainda muita actividade em que D.ª Amélia se envolvia. A sua resposta é a meu ver muito inspiradora: "Não sei estar parada. É preciso dar à vida uma utilidade, uma preocupação qualquer. Chorar não remedeia nada. Enxugar as lágrimas alheias é esquecer um pouco as próprias lágrimas...".

Fiquei triste por ela, por ter tido uma vida tão cheia de tragédias. Mas, ainda assim, é um verdadeiro exemplo de resiliência.

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